As carreiras que “Mais Pagam”

As carreiras que “Mais Pagam”


Artigo postado no Portal da Cidade: Canoinhas

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Ao iniciar um curso, seja ele de extensão, técnico ou superior, buscamos entender o que essa formação nos trará de benefícios financeiros. Fazemos uma “continha” rápida de “mais e menos” e decidimos por uma área ou curso. Hoje, a decisão por carreira está seguindo a lógica dos investimentos empresariais, levantando a problemática: quanto de retorno financeiro essa profissão me trará em relação ao que gastarei na formação?

 

Essa lógica dos investimentos se traduz em alguns cálculos e índices. Talvez os mais utilizados sejam o ROIC (Return on Invested Capital) e o VPL (Valor Presente Líquido). O ROIC é a relação entre o lucro e o valor investido na empresa ou projeto. O VPL seria o quanto de retorno o investimento lhe trará (podendo se utilizar tanto de fluxo de caixa gerado quanto lucro líquido), menos o que foi investido inicialmente.

 

Em uma conta rápida, os futuros profissionais estão transmutando as variáveis do empresarial para o pessoal. O lucro passa a ser o salário, e o investimento inicial seria o valor gasto com estudos. Por essa lógica, desconsiderando as taxas de desconto para facilitar a exemplificação, caso invista cinquenta mil reais (R$ 50.000,00) na formação e receba após ela cinco mil reais (R$ 5.000,00) por mês, terá um ROIC de 120% a.a.; e um VPL de dez mil reais (R$10.000,00) no primeiro ano, depois disso é só “lucro”. Para efeito de comparação, a NATURA, empresa brasileira conceituada no mercado, teve em Março/21 um ROIC anual de 1,25% a.a. Então, temos resultados melhores do que os acionistas da Natura!?

 

Bem, bem, bem. Muito cuidado! Interpretações erradas nos levam a decisões erradas! Aplicar conceitos empresariais na vida pessoal pode ser fatídico. Nesse caso, em que estamos considerando o lucro líquido como salário, esquecemos que em nossa vida pessoal possuímos gastos, que na sua maioria, estão ligados à profissão que escolhemos. Utilizemos como exemplo a carreira de Médico, talvez a mais almejada devido ao bom volume de remuneração que oferece. Estas são algumas despesas pessoais existentes por ser médico: seguro contra erros médicos; babás em tempo integral para os filhos (devido aos turnos variados de trabalho); atualizações periódicas e normalmente de alto valor agregado; risco de contaminação constante por doenças infectocontagiosas; gastos com moradia por normalmente não atuar na região de origem; e por aí vai. Além de tudo, tem a questão de gostar ou não da função. Caso não goste, você exigirá um retorno maior como RECOMPENSA ao esforço prestado. Assim, indiretamente, tudo fica mais caro na sua vida como jantares, roupas, carros, presentes e viagens. Tem que ser tudo grandioso, para compensar tamanho esforço e abdicação.

 

Sabendo disso, agora, desconte do valor da remuneração todos os seus gastos pessoais. Aí sim, você terá o seu “LUCRO LÍQUIDO PESSOAL” e poderá extrair seus indicadores de retorno.

 

O objetivo aqui não é afirmar que pensar matematicamente é errado. A análise de investimentos, seja pessoal ou empresarial, precisa existir. A questão é que, quando se trata de profissão, há questões qualitativas que precisam ser consideradas. E as principais são: quão você se identifica com a atividade escolhida; e qual o nível de vida quer ter por exercer essa função na sociedade.

 

Em qualquer visão, seja quantitativa ou qualitativa, ao exercermos uma profissão como funcionário, autônomo ou empresário; estamos na verdade vendendo “tempo de vida”. Alguém ou algum negócio nos pagará para gastarmos aquele tempo com essa atividade.

 

Ao entender esse pensamento, você compreende que o seu ROIC e VPL pessoal estão intimamente ligados ao PRAZER de exercer a profissão. Até mesmo o estilo de vida está ligado a esse prazer. O ser humano não tem limites quanto à conforto e status, porém, é uma tendência o mesmo controlar isso caso se sinta “realizado profissionalmente”. Quanto mais você gosta do que faz, é menor a necessidade em se ter um indicador financeiro alto. Porque, o valor financeiro é um a mais. A cereja do bolo.

 

Isso pode soar clichê, mas entendendo a lógica financeira até aqui discorrida, você leitor perceberá que essa frase “modinha”, toma ares de conceito. As duas visões estão ligadas e precisam ser consideradas. Se optarmos somente pelo pensamento quantitativo, o mais “certo” seria, mudar a base de investimento pessoal para ZERO. Ou seja, não gastar nada. Assim, qualquer retorno financeiro que obtiver da sua profissão, seja qual for, será mais que o dobro. Pensando bem, é o que a maioria das pessoas fazem.